terça-feira, 16 de setembro de 2025

SilĂȘncio


 


O silĂȘncio devora o grito.

O grito consome o silĂȘncio.

Um desaparece no outro,

como ferida que se alimenta de si.


O desespero Ă© um eco faminto,

morde as paredes do vazio,

consome o ar, consome o peito,

até restar apenas ossos de sombra.


O eco devora o silĂȘncio,

o silĂȘncio devora o eco.

É um banquete sem fim,

onde cada som morre antes de nascer.


E nĂłs...

restamos como restos,

desaparecendo dentro da prĂłpria ausĂȘncia,

gritando em silĂȘncio,

silenciando em grito,

até sermos consumidos por nada.


Fagulha



.


 Eu sou luto em cĂąmera lenta,um clarĂŁo que abre feridas nas paredes do dia,revelando mĂłveis vazios e fotos com os olhos riscados.

Um brilho de funeral a fagulha de uma oração falha.

 Tenho o  cheiro de metal, e o gosto do cafĂ© frio,
a casa que aprendeu a esperar e depois desistir.
A cidade que acorda com o rosto desesperado no fulgor da manhã, a sirene cansada,que repete e invoca a lembrança do que jå não volta.
O rastro marcado em jornais antigos e sapatos esquecidos.
O resto de promessa e vidro.
No final eu quero mesmo Ă© que tudo exploda.
 E que seja luminosa, a explosĂŁo, que ecoe pelos quarteirĂ”es e faça tremer teus vidros, quebrar tuas janelas. Que perturbe teu sono e te faça ir pra rua pra ver o que aconteceu. VocĂȘ nĂŁo vai me encontrar lĂĄ. Eu nĂŁo sou o piloto. NĂŁo sou o passageiro. NĂŁo sou o pedestre. 
Eu sou o acidente, e eu sou grave.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

Vazio

 OlĂĄ, pra quem quer que leia isso.

VocĂȘ jĂĄ se sentiu vazio? Eu acho que todo mundo Ă© meio vazio. A gente finge que Ă© muito cheios de coisas, eu vejo gente fingindo atĂ© transbordar pra parecer interessante.

Mas no fundo a verdade entediante Ă© que todo mundo Ă© oco.

E se vocĂȘ gritar pra dentro de mim vai ouvir o eco da sua prĂłpria voz.

Eu jĂĄ tentei fingir ser alguma coisa, andar e falar como eles.

Mas uma hora a verdade te acerta bem na cabeça, e vocĂȘ cai.

VocĂȘ Ă© vazio! Seja o vazio! Foda- se todos!

Abrace a porra do vazio!



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

Tetris

 Toda vez que vocĂȘ tenta se encaixar vocĂȘ some.


Eu odeio o marasmo inicial do jogo entĂŁo eu trapaceio no inĂ­cio.
Monto um amontoado de peças, crio um problema do nada só pra deixar mas interessante.
As vezes da certo, e quando o jogo fica dinùmico eu jå resolvi todas as lacunas, na maioria das vezes då muito errado quando o jogo fica råpido não tem nada encaixado eu me desespero, culpo os botÔes e desisto do jogo.
Eu preciso dizer que odeio as peças quadradas elas não mudam e eu não sei jogar com elas.
Eu jogo a vida como eu jogo Tetris.


segunda-feira, 23 de março de 2020

Gelo

É uma dança com passos complicados em um ritmo que muda o tempo todo. Eu sou a garota que tropeça na pista de dança e não consegue achar o caminho para a saída.
Toda maldita hora eu me questiono:
De quĂȘ eu tenho medo? Por quĂȘ eu nĂŁo consigo querer ficar melhor? Quando eu sou eu e como eu sei que eu sou eu e quem eu seria se eu fizesse o que eles querem? Como eu fiquei assim?
As pessoas gritam para mim por que eu nĂŁo consigo ver o que elas vĂȘem. NinguĂ©m consegue me explicar por que meus olhos funcionam diferentes dos delas. NinguĂ©m pode fazer isto parar.
Nada funciona, nada nunca funciona, isso continua me matando por dentro.









Vidro



  • "Eu sei que sou eu, mas nĂŁo sou eu, nĂŁo de verdade. NĂŁo sei como sou. NĂŁo consigo lembrar como Ă© que a gente faz para parecer alguma coisa."

SilĂȘncio

  O silĂȘncio devora o grito. O grito consome o silĂȘncio. Um desaparece no outro, como ferida que se alimenta de si. O desespero Ă© um eco fam...