O silĂȘncio devora o grito.
O grito consome o silĂȘncio.
Um desaparece no outro,
como ferida que se alimenta de si.
O desespero Ă© um eco faminto,
morde as paredes do vazio,
consome o ar, consome o peito,
até restar apenas ossos de sombra.
O eco devora o silĂȘncio,
o silĂȘncio devora o eco.
Ă um banquete sem fim,
onde cada som morre antes de nascer.
E nĂłs...
restamos como restos,
desaparecendo dentro da prĂłpria ausĂȘncia,
gritando em silĂȘncio,
silenciando em grito,
até sermos consumidos por nada.



