terça-feira, 16 de setembro de 2025

Fagulha



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 Eu sou luto em câmera lenta,um clarão que abre feridas nas paredes do dia,revelando móveis vazios e fotos com os olhos riscados.

Um brilho de funeral a fagulha de uma oração falha.

 Tenho o  cheiro de metal, e o gosto do café frio,
a casa que aprendeu a esperar e depois desistir.
A cidade que acorda com o rosto desesperado no fulgor da manhã, a sirene cansada,que repete e invoca a lembrança do que já não volta.
O rastro marcado em jornais antigos e sapatos esquecidos.
O resto de promessa e vidro.
No final eu quero mesmo é que tudo exploda.
 E que seja luminosa, a explosão, que ecoe pelos quarteirões e faça tremer teus vidros, quebrar tuas janelas. Que perturbe teu sono e te faça ir pra rua pra ver o que aconteceu. Você não vai me encontrar lá. Eu não sou o piloto. Não sou o passageiro. Não sou o pedestre. 
Eu sou o acidente, e eu sou grave.

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