terça-feira, 16 de setembro de 2025

SilĂȘncio


 


O silĂȘncio devora o grito.

O grito consome o silĂȘncio.

Um desaparece no outro,

como ferida que se alimenta de si.


O desespero Ă© um eco faminto,

morde as paredes do vazio,

consome o ar, consome o peito,

até restar apenas ossos de sombra.


O eco devora o silĂȘncio,

o silĂȘncio devora o eco.

É um banquete sem fim,

onde cada som morre antes de nascer.


E nĂłs...

restamos como restos,

desaparecendo dentro da prĂłpria ausĂȘncia,

gritando em silĂȘncio,

silenciando em grito,

até sermos consumidos por nada.


Fagulha



.


 Eu sou luto em cĂąmera lenta,um clarĂŁo que abre feridas nas paredes do dia,revelando mĂłveis vazios e fotos com os olhos riscados.

Um brilho de funeral a fagulha de uma oração falha.

 Tenho o  cheiro de metal, e o gosto do cafĂ© frio,
a casa que aprendeu a esperar e depois desistir.
A cidade que acorda com o rosto desesperado no fulgor da manhã, a sirene cansada,que repete e invoca a lembrança do que jå não volta.
O rastro marcado em jornais antigos e sapatos esquecidos.
O resto de promessa e vidro.
No final eu quero mesmo Ă© que tudo exploda.
 E que seja luminosa, a explosĂŁo, que ecoe pelos quarteirĂ”es e faça tremer teus vidros, quebrar tuas janelas. Que perturbe teu sono e te faça ir pra rua pra ver o que aconteceu. VocĂȘ nĂŁo vai me encontrar lĂĄ. Eu nĂŁo sou o piloto. NĂŁo sou o passageiro. NĂŁo sou o pedestre. 
Eu sou o acidente, e eu sou grave.

SilĂȘncio

  O silĂȘncio devora o grito. O grito consome o silĂȘncio. Um desaparece no outro, como ferida que se alimenta de si. O desespero Ă© um eco fam...